Café para todos os gostos

8 jun

Por Lúcia Maroni, de Cristais Paulista

As exportações totais de café brasileiro, entre grãos verdes e industrializados, devem aumentar em 2013, de acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).  Mas o que pouca gente sabe, é que para que esse aumento aconteça, os grãos que vão ver exportados merecem atenção especial desde a colheita até a chegada ao mercado.

Flávia Alves de Oliveira, dona da fazenda Bom Jesus, em Cristais Paulista e que exporta 80% da sua produção, conta que existem critérios bem definidos. Lá, a lavoura de café foi iniciada em 1985 e a ideia de exportação começou por volta do ano 2000. “Existem padrões pré-estabelecidos para exportação, depois da secagem o café vai para um processo de benefício que separa os grãos por tamanho, cor e defeitos”.

Isso ocorre para atender os mais variados padrões de análise, que são: aspecto – o pó deve ser homogêneo; cor – sua cor pode mudar, de acordo com o processo de torração, variando entre o castanho-claro e o castanho-escuro; cheiro: deve ser próprio do café recentemente submetido ao processo de torrefação, pois, à medida que o café envelhece, seu odor acaba se modificando devido às alterações químicas sofridas pelo grão.

O sucesso na exportação também passa pela escolha das mudas que serão plantadas, já que uma lavoura de café dura, em média, vinte e cinco anos. “A produção de mudas vigorosas e sadias é um dos fatores fundamentais para o sucesso da lavoura, principalmente porque o café é considerado uma cultura perene. Os grãos só começam a ser colhidos depois de quatro anos da muda plantada”, diz Ricardo Lima de Andrade, secretário da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Franca (SP), a COCAPEC.

Com a modernização das técnicas de cultivo, é essencial a mudança no sistema de produção das mudas de café, onde se devem ser repensados os métodos até então utilizados. Independente de ser manual ou com maquinário, a colheita, na definição usada pelos produtores, fica ‘muito judiada’. “Durante o manejo empregado na formação das mudas cafeeiras, também é importante e necessário realizar de capinas; além de controle de irrigação, adubações, controle de pragas e doenças e aclimatação das mudas”, diz Ricardo.

Cássio Moreira, degustador e classificador de café, explica como esse processo é realizado. “Para se identificar a qualidade, já se começa passando pelo secador, a partir do momento em que ‘deu o ponto’ no café, ele é levado para a minha sala. Lá, fazemos a prova e análise de todos os cafés”, conta.  De acordo com ele, é a bebida que vai determinar para onde ela vai. “Nós dividimos esses grãos em 16 repartições e aí conforme o que ele (café) der, é onde vai acontecer a separação”.
Flávia Oliveira explica que o nível de exigência para que o café seja classificado como ‘tipo exportação’ é relativo. “Existe o café Good Cup que é um café mais fraco e o Fine Cup que é muito fino. Nesse a exigência é maior. Geralmente além da qualidade umas das coisas que os países compradores buscam é a certificação que atesta que as leis do país produtor é totalmente cumprida”.

“Cada país tem um critério. Nós exportamos para Itália, Suíça, Japão e Alemanha”, explica Cássio. Na Itália e no Japão eles gostam de café mais encorpado e seco. Já na Suíça eles preferem um gosto mais ácido. “Então, quando chega na hora do café ser exportado, ele já está separado com as especificidades de cada país”. O que não é utilizado lá fora acaba indo parar nos supermercados. “É como se a gente tomasse sobras e tratasse do mesmo jeito que  um café de qualidade”, finaliza.

Tipo de torra determina qualidade do café

Torra determina qualidade do café tipo exportação

Mogi Mirim estuda projeto de ensino de Libras em escolas municipais

7 jun

Por Lúcia Maroni

Na última quinta-feira (07), a professora Ângela Bezerra Suassuna apresentou na Câmara de Vereadores um projeto que visa o treinamento de professores de escolas públicas do ensino fundamental e médio no estudo de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais). Considerada a segunda língua oficial do país, a ideia do projeto surgiu após Ângela conhecer uma menina de oito anos, chamada Isabelle. “Até o ano passado, ela já tinha mudado quatro vezes de escola e não tinha sido alfabetizada. E crianças nessa idade já sabem ler e escrever”, disse.

Professora Ângela Bezerra Suassuna

Professora Ângela Bezerra Suassuna

Segundo a professora, o objetivo do projeto é fazer com que os pais das crianças com deficiência auditiva também auxiliem no estudo de seus filhos. “A minha intenção é que, durante esse projeto, os pais possam acompanhar os filhos durante a escola e também aprendam os sinais para conseguirem se comunicar”, afirma. Com o decreto Nº 5.626, de 22/12/2005,  ”ela deve ser inserida como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de Fonoaudiologia, de instituições de ensino, públicas e privadas até 2015″.

O primeiro lugar em que o programa deverá ser implantado é no bairro Linda Chaib, onde uma professora já se prontificou a ensinar surdos a se adaptarem em escolas regulares. Porém, como essas aulas especiais foram suspensas, as mães foram aconselhadas a procurar a justiça, com a finalidade de garantir a continuação das aulas para essas crianças.

Segundo o vereador Manoel Palomino (PPS/SP), o grande empecilho para a aprovação do projeto é o tramite legal no Poder Legislativo e Executivo.  “Primeiro o projeto tem que ir para votação na Câmara. Sendo aprovado pela maioria dos Vereadores, o projeto vai para o Poder Executivo, o qual deverá colocar o projeto em pratica.”, explica Manoel. “Acredito que demore sim para o projeto começar a ser implantado”, finaliza.

Parque da Lagoa do Taquaral sofre com descaso do poder público

7 jun

Por Lucia Maroni

Estudantes que utilizam as quadras do Parque Portugal, em Campinas, reclamam do péssimo estado de conservação em que elas se encontram. Além da falta de pintura e do alambrado que está sem tela, a iluminação é inadequada e a manutenção de alguns locais é feita por conta dos próprios visitantes.

Alambrado sem cerca é visto no Taquaral

Alambrado sem cerca é visto no Taquaral

O estudante Miguel Martinelli, de 19 anos, conta que a pista de skate está mal conservada e que, algumas vezes, ele e os amigos consertam as instalações para poderem se divertir com mais segurança. “Ela tá meio ruim. Se precisa fazer alguma coisa, a gente mesmo faz uma vaquinha e compra cimento pra tapar os buracos que aparecem aqui”, disse.

O mesmo acontece nas quadras de futebol, tanto na convencional quanto na área cimentada. “Aqui o pessoal joga bastante bola, mas ela fica largada na maioria dos dias”, afirma o também estudante Fábio Moze Yabiku, de 17 anos. No campo do futebol onde deveria haver grama está coberto de areia e o risco de alguém se machucar é maior. “Quando isso acontece, a gente mesmo leva pro hospital”, completa.

O grande problema , segundo Fábio, é que quando ocorre a manutenção, materiais esportivos,  como redes nas quadras, e até mesmo as lâmpadas são furtadas ou danificadas. “O pessoal reclama que quando eles trazem rede ou bola, aparece um ‘bando’ e acaba levando embora. Isso normalmente acontece depois das seis da tarde, quando já está mais escuro”.

Campo de futebol do Taquaral está em péssimas condições

Além dos furtos, a falta de segurança e de assistência em acidentes também gera reclamação. Outros adolescentes, que não quiseram se identificar, explicam que seguranças quase não são vistos por lá, apesar de serem chamados. “Os seguranças só aparecem na hora de abrir e de fechar o portão”, finalizam os estudantes.

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Está no DNA de Viracopos ser o maior aeroporto da América Latina

6 jun

Por Lucia Maroni

“Está no DNA do Aeroporto Internacional de Viracopos ser o maior aeroporto da América Latina”. Assim Aluizio Bonfim Margarido, diretor comercial da empresaAeroportos Brasil Viracopos, definiu a estratégia de ampliação, nos próximos 30 anos, do aeroporto campineiro. Atualmente, o aeroporto é mais usado para  carga e descarga, além de fazer voos domésticos.

Sob o tema A Ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos: possibilidades de parcerias com a Universidade, palestra apresentada na PUC-Campinas, Margarido apresentou a estrutura da empresa que administra o Aeroporto, desde o ano passado, além de detalhar o plano de ampliação do terminal que está sendo implementado. Por isso, algumas mudanças na parte física da atual estrutura já estão sendo modificadas.

Aluizio Bonfim Margarido: "meta é chegar a 80 milhões de usuários"

Aluizio Bonfim Margarido: “meta é chegar a 80 milhões de usuários”

Melhora e ampliação de banheiros, estacionamento coberto com passarela, e até mesmo a construção de canis para a melhoria dos serviços da Polícia Federal para a retirada de passaportes. Tudo isso está previsto dentro do plano de ampliação, em que a primeira fase de será concluída em maio de 2014, com a entrega do novo terminal de passageiros.

Nessa etapa, estima-se que 14 milhões de pessoas por ano serão atendidas.
Porém, a ideia é aumentar ainda mais essa oferta. Para isso, foi definida uma estratégia que passará por cinco fases. “Um dos objetivos do nosso plano de é chegar ao final das três décadas de concessão atendendo 80 milhões de passageiros por ano”, continua. A construção de um terminal de ônibus também será feita, para integrar ainda mais o embarque e desembarque desses passageiros.

Sustentabilidade
Há quem tenha se sentido lesado com tantas melhorias. Ana Regina Vieira, daReciclamp (Cooperativa de Coleta e Comercialização de Materiais Recicláveis de Campinas), alega que com o final do contrato com o aeroporto, não houve nenhum contato para que houvesse a renovação do mesmo. “A retirada era feita uma vez por semana e o material reciclável é de boa qualidade. Devido à venda da Infraero e vencimento do contrato deixamos de coletar esses materiais em fevereiro deste ano”, explica.
Regina, porém, acredita que o cenário pode mudar com a promessa de um possível acordo. “Segundo ele (Aluisio) será marcada uma reunião para tratar desse assunto”, finaliza.

Universitários ficaram atentos ao anúncio das novas mudanças em Viracópos

Universitários ficaram atentos ao anúncio das novas mudanças em Viracópos

Confira uma parte da palestra:

Agricultura de precisão otimiza trabalho de agricultores para o plantio

6 jun
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Custo do equipamento pode chegar a R$200 mil

Por Lúcia Maroni, de Ribeirão Preto

A grande tendência para o futuro da agricultura, principalmente quando se fala em grandes propriedades rurais, é a chamada Agricultura de Precisão. José Everaldo de Almeida, consultor técnico na empresa  Agritotal, explica que a ideia é a de otimização de recursos: “Esse conceito existe desde que se começou a adubar áreas que eram apropriadas para o plantio, com menos recursos e tecnologia do que se tem hoje”.

Um dos primeiros passos para desenvolver essa técnica é fazer a chamada análise de solo, considerada uma das grandes ferramentas de diagnóstico para descobrir o que a lavoura precisa. “Ela é eficaz para saber onde e quais os elementos que eu preciso para aproveitar melhor as minhas áreas agricultáveis”, explica Almeida. Além de considerar a análise indispensável, o consultor ressalta que, nem todas as máquinas são programadas com esse tipo de tecnologia.

Para ele, outro fator imprescindível é o treinamento de pessoal para o manejo. Cada máquina tem uma função específica e por isso, necessita de um tipo de estudo diferente. “Isso poderá ser visto em alguns equipamentos, mas não sei se será possível em todos”. Mas essa tecnologia não serve só para monitorar equipamentos. Insumos e defensivos agrícolas também devem ter uma utilização mais controlada.

Segundo ele, no futuro, tudo poderá ser controlado por meio dessa tecnologia. “Ela vai ser importante também, não só por conta do retorno financeiro, já que tudo o que se desperdiça sai caro, mas também porque a utilização e até o descarte indiscriminado desses produtos pode afetar um lençol freático ou até mesmo uma nascente”.

Almeida afirma que essa tecnologia ainda não está acessível aos pequenos e médios produtores, por ter um custo muito alto. ”O valor desses equipamentos, como o GPS e ainda a instalação de rastreamento via satélite pode variar de cinco mil a duzentos mil reais”, completa.

 

Mecanização da colheita de cana exige requalificação de ‘boias frias’

6 jun

Por Lúcia Maroni, de Pradópolis (SP)

Nos últimos seis anos, a colheita de cana de açúcar passa por um gradual processo de mecanização. Em 2008 foi criado um protocolo ambiental que, juntamente com a Secretaria de Meio Ambiente, vai proibir o procedimento da queima da lavoura de cana – inicialmente, esse prazo iria até 2021. Porém, com a antecipação para 2017, algumas usinas estão tendo que se adaptar rapidamente a essa nova condição.

Usina São Martinho foi uma das que assinou esse protocolo, onde se propõe que até 2014, toda área onde seja possível se colher com o auxilio das máquinas, não se pode mais ter nenhuma queimada, mesmo manual. A empresa, considerada a maior do mundo em moagem de cana de açúcar, e que fica em Pradópolis (SP), já começou esse processo muito antes da resolução ser anunciada.

Mauricio Simões, que é o responsável pela produção agrícola, explica: “A usina foi uma das primeiras a fazer a mecanização da colheita da cana, isso ainda no final dos anos 80”. Em 2013, cerca de 95% da safra é colhida por maquinário específico. A profissão de cortador de cana foi quase extinta na usina. “Aqui nós temos mais operadores de máquina do que os chamados ‘boias  frias’”, diz.

Os poucos trabalhadores que restaram fazem serviços apenas aonde as máquinas não consegue chegar. “São áreas onde o terreno é inclinado, ou que tem muitas pedras e impõem dificuldades para a colhedora, então o trabalho é feito manualmente”. Simões explica que por conta disso, os trabalhadores estão sendo remanejados. Isso está sendo feito por um programa criado dentro da usina, em parceria com o SENAI e a FIESP. “De dezembro de 2012 até março desse ano, nós requalificamos 400 cortadores de cana”.

Mas o programa não é somente para quem trabalha na empresa, mas também se estende a outros trabalhadores da região. “Eles agora são operadores de colhedoras, operadores de tratores, motoristas de caminhão, mecânicos e por ai vai”. Isso foi feito tanto na parte agrícola quanto na parte industrial. “A ideia é requalificar essas pessoas, pra que quando chegar em 2017, todas elas estejam empregadas e prontas para uma nova realidade do setor”, finaliza.

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Libras deve se tornar obrigatória ainda neste ano

4 nov

Para Ângela, o preconceito existe não só com os deficientes, mas também com quem trabalha com eles.

Imagine a seguinte situação: sua professora chega à sala no seu primeiro dia de aula, e ao invés de se conversar com os alunos, resolve se comunicar utilizando apenas as mãos. A então estudante Ângela Bezerra Suassuna sentiu na pele o que vive no dia a dia uma pessoa com deficiência auditiva. “No primeiro dia de aula, minha professora entrou para dar aula e não disse uma palavra sequer. Sinalizou o tempo todo. Eu fiquei muito angustiada e desesperada, pois vi que ela escrevia sobre trabalho na lousa, várias tarefas e eu super perdida. E isso me marcou muito.

Depois dessa experiência, Ângela resolveu se especializar e aprender mais dessa nova linguagem – ou língua, como ela descreve, e já é professora especialista em LIBRAS . “Ela já é reconhecida como nossa 2ª língua oficial do Brasil desde 2002 conforme lei nº. 10.436 e decreto 5.626 de 2005. Você aprende a se comunicar basicamente dentro de seis meses. Mas precisa ter contato com surdos para não perder a prática”.

De acordo com a AJA (Associação do Jovem Aprendiz), a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) surgiu a partir do Instituto dos Surdos-Mudos, fundado em 1857 como primeira escola para surdos no Brasil – atualmente denominado Instituto Nacional da Educação de Surdos (INES). Ela é o resultado da mistura da Língua de Sinais Francesa com a língua de sinais brasileira antiga, já usada pelos surdos das várias regiões do Brasil.

Vale ressaltar, porém que as Línguas de Sinais não são universais. Cada país possui a sua própria língua de sinais, que sofre as influências da cultura nacional.

Ângela ainda explica que esse ensino está entrando aos poucos nas grades curriculares. Com o decreto de 2005, todos os cursos superiores de licenciatura são obrigados a inserir um semestre em LIBRAS na grade curricular do curso. O curso de fonoaudiologia é obrigatório também, nos demais cursos, ela é optativa.” Porém, um projeto de lei do deputado Assis Carvalho e da comunidade surda que foi entregue à presidente Dilma este ano no dia 24 de abril ,em que LIBRAS deverá ser inserida como matéria obrigatória desde o ensino infantil.
Ela costuma acompanhar artistas em shows abertos para uma plateia em que, sabidamente existem deficientes auditivos. Mas, no dia a dia, os problemas enfrentados por quem sofre com a surdez são maiores. “Eu conheço vários surdos e eles estão extremamente cansados de lutar, pois dependem sempre da família para fazer tudo. Dependem da família para abrir conta no banco, para ir ao ginecologista e explicar o que acontece, para viajar, pedir informação, estudar, tudo!” E ainda ressalta que “eles tem uma capacidade de concentração muito superior à nossa para assuntos que exijam raciocínio”.

Porém, o que se percebe é que o preconceito ainda é grande – e não só com os deficientes. “Muitas pessoas acham lindo meu trabalho e outras acham que quero aparecer. Mas na verdade, criticar é mais fácil. Eu tive coragem de fazer o que ninguém se interessou em fazer desde que LIBRAS foi reconhecida como língua brasileira de sinais. Muitos também acham que trabalhar com deficiente não dá dinheiro, não compensa. A sociedade não aceita esses deficientes.”, diz Ângela.  “Eles votam, comem, se vestem, vão ao médico, ao dentista, ao cabeleireiro como qualquer outro cidadão comum. Esse bordão de inclusão social é puro marketing. Surdos e cegos sempre existiram.”, completa.

Vídeo da música de Régis Dainese “Faz um milagre em mim”, na língua de sinais (por Ângela Bezerra Suassuna)

 

Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho da Ângela, é só acessar o site:

http://www.angelalibras.blogspot.com.br/